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Legumes que não deve fermentar: guia completo de segurança e qualidade

Embora a fermentação de vegetais seja uma excelente forma de os conservar, nem todos são adequados para a fermentação láctica. Este guia aborda os vegetais que não devem ser fermentados, as razões pelas quais dão mau resultado e o que fazer em alternativa, para garantir que as suas fermentações são seguras, saborosas e com boa textura.
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Fermentar vegetais em casa é uma prática antiga que combina tradição, ciência e paciência, mas nem todos os vegetais respondem bem ao processo. Neste guia completo sobre os vegetais que não deve fermentar, explicamos quais devem ser evitados, por que razão dão origem a texturas moles e sabores desagradáveis, e onde está a fronteira entre um fermento de má qualidade e um fermento de risco. Vamos também apresentar técnicas para salvar vegetais difíceis, erros comuns que comprometem qualquer lote e os sinais que indicam que o melhor é mesmo deitar fora. O objetivo é ajudar a fermentar com mais confiança, menos desperdício e mais segurança.

Porque é que alguns vegetais não fermentam bem?

O que é a lactofermentação e porque falha com certos vegetais

A lactofermentação é um processo em que bactérias lácticas, naturalmente presentes na superfície dos vegetais, convertem os açúcares em ácido lático. Este ácido reduz gradualmente o pH do meio, inibindo microrganismos indesejados e conservando o alimento. É o mesmo princípio que transforma couve em chucrute e pepinos em pickles fermentados. Quando este processo funciona, o resultado é um alimento ácido, estável e apreciado por muitas pessoas.

O problema surge quando o vegetal não reúne as condições para este processo decorrer de forma equilibrada. A lactofermentação depende de açúcares suficientes, estrutura física resistente e uma proporção adequada entre sólidos e água. Vegetais muito ricos em água, muito pobres em açúcares ou com compostos que interferem com as bactérias lácticas tendem a falhar. O resultado típico é um produto mole, com odores estranhos ou sabores desagradáveis, mesmo que o processo tenha seguido todos os passos corretos.

O papel da água, das enzimas e da textura no sucesso da fermentação

Durante a fermentação, o sal retira água dos vegetais por osmose, criando a salmoura que os protege do ar. Nos vegetais com elevado teor de água e estrutura celular frágil, este processo desenfaca-se: a parede celular cede, os tecidos colapsam e o fermento torna-se pastoso. As enzimas vegetais endógenas, libertadas quando as células se rompem, aceleram esta degradação ao decompor pectinas e outras estruturas.

Em contraste, vegetais densos e crocantes, como cenouras, couve-repolho ou nabo, resistem melhor. Mantêm a estrutura mesmo depois de semanas em salmoura. É esta diferença estrutural, mais do que qualquer fator misterioso, que explica por que alguns vegetais dão fermentos excelentes e outros dão resultados decepcionantes. Compreender esta lógica permite prever quase sempre o resultado antes de começar.

Os vegetais a evitar: o guia definitivo de sim, não e talvez

Uma forma útil de planear qualquer fermento é classificar os vegetais em três categorias: os que fermentam bem, os que devem ser evitados e os casos intermédios que podem funcionar com a técnica certa. Esta divisão evita frustrações e desperdícios, sobretudo nos primeiros lotes.


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Vegetais de alto teor de água: o problema da textura mole

Os vegetais mais problemáticos são os muito ricos em água e pobres em fibras estruturais. Entre os que regularmente decepcionam contam-se:

  • Curgete e abóbora de verão, que colapsam rapidamente na salmoura.
  • Pepino de salada (não variedades de pickle), que perde a crocância.
  • Tomate fresco, que se desintegra e produz um fermento muito líquido.
  • Alface e outras folhas de salada, que se transformam em pasta.
  • Cogumelos, cuja textura delicada raramente sobrevive e que levantam questões próprias de segurança.
  • Rábano folhoso e outros rabanetes tenros, quando se pretende manter textura.

Nem todos falham por motivos de segurança. Muitos simplesmente produzem um resultado mole e insípido. A curgete fermentada, por exemplo, não é perigosa se o processo for correto, mas raramente agrada: a textura desfeita e o sabor insípido não compensam o esforço. Perceber esta distinção é essencial, porque a maioria dos "vegetais a evitar" são mais um problema de qualidade do que de segurança.

Vegetais crucíferos e folhas verdes: sabor e segurança

Os crucíferos merecem uma menção especial. Brócolos, couve-flor, couve-de-bruxelas e folhas verdes como a couve-galega ou os espinafres contêm compostos sulfurosos e glucosinolatos. Durante a fermentação, estes compostos degradam-se e libertam cheiros fortes, muitas vezes descritos como ovos podres ou repolho cozido demais. Em recipientes fechados, o acumulação destes gases e odores torna a experiência desagradável e, em casos extremos, pode indicar desenvolvimento de microrganismos indesejados.

Os espinafres e a maioria das folhas tenras apresentam ainda um duplo problema: textura frágil e elevado teor de nitratos, que as bactérias podem converter em nitritos. Embora o risco concreto em fermentos caseiros bem conduzidos seja debatido entre especialistas, é um dos motivos pelos quais muitos autores de referência desaconselham fermentar espinafres e folhas de salada. A couve-repolho é a grande exceção entre as folhas, como veremos mais à frente.

Outros vegetais problemáticos: beladonas e casos especiais

Alguns casos merecem cautela adicional. Vegetais da família das solanáceas, como beringela crua, contêm compostos que se degradam melhor com calor do que com fermentação. Batatas cruas não se fermentam sozinhas de forma fiável, devido ao amido e à estrutura. Cenoura é geralmente segura, mas beterraba crua, embora fermentável, liberta açúcares que favorecem leveduras superficiais e pode tornar-se viscosa. Nenhum destes casos é uma regra absoluta, mas todos exigem experiência e método.


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Também os vegetais já congelados e descongelados raramente funcionam: o congelamento rompe as paredes celulares e a textura já está comprometida antes de a fermentação começar. O mesmo se aplica a vegetais muito maduros ou com zonas moles, onde a degradação enzimática já avançou.

Vegetais que parecem difíceis mas funcionam bem com a técnica certa

Alguns vegetais têm má reputação injustificada. A couve-flor, por exemplo, fermenta razoavelmente bem em floretes pequenos com salmoura a 3,5% e colmo de cereja ou folha de videira no frasco, embora o aroma durante o processo seja forte. O aipo mantém-se surpreendentemente bem. Os alhos franceses, cortados e bem compactados, dão fermentos saborosos. A lição é que a técnica — densidade de sal, submersão completa, temperatura controlada — consegue salvar vegetais que, mal executados, seriam um desastre.

A ciência por detrás dos vegetais moles: pectina e enzimas

Como a acidez da fermentação afeta a parede celular dos vegetais

A textura dos vegetais depende de uma rede de pectinas e celulose que mantém as células unidas. Durante a fermentação, dois fatores atacam simultaneamente esta rede. Primeiro, os ácidos produzidos pelas bactérias lácticas solubilizam as pectinas que ligam as células entre si. Segundo, enzimas endógenas, sobretudo pectinases e celulases libertadas quando os tecidos se danificam, decompõem essas estruturas por dentro.

Nos vegetais de estrutura robusta, a rede celular resiste tempo suficiente para que a acidez estabilize o processo. Nos vegetais aquosos e tenros, o colapso é mais rápido do que a acidificação, e o resultado é um fermento mole mesmo com acidez correta. É por isso que chucrute de couve-repolho fica crocante e curgete fermentada fica pastosa, mesmo com a mesma receita base.

Porque é que pepinos, curgetes e abóboras de verão perdem a crocância

O pepino de salada ilustra bem o fenómeno: mais de 95% de água, casca fina e muito pouca fibra estrutural. Quando em salmoura, a água sai em grande volume, o interior colapsa e a reação enzimática — em particular a ação da poligalacturonase — destrói a pectina. As variedades destinadas a pickles têm casca mais espessa e menor teor de água, o que explica a diferença de comportamento. Curgetes e abóboras de verão partilham exatamente o mesmo perfil.

É também por isso que, mesmo nestes vegetais, alguns fermentadores obtêm resultados aceitáveis: usar variedades firmes, cortar em pedaços maiores, reforçar o sal levemente e juntar taninos naturais podem prolongar a crocância durante dias ou semanas. Não transforma a curgete numa cenoura, mas melhora sensivelmente o resultado.

Crucíferos e folhas verdes: quando o sabor e o cheiro correm mal

Glucosinolatos e compostos sulfurosos: o que são e como afetam o fermento

Os glucosinolatos são compostos de defesa característicos das brássicas. Quando as células se rompem, a enzima mirosinase converte-os em isotiocianatos e outros derivados, alguns dos quais contêm enxofre. Durante a fermentação, bactérias do género Klebsiella e outras podem produzir sulfuretos voláteis, responsáveis pelos odores intensos. Estes compostos não são necessariamente perigosos em pequenas quantidades, mas degradam fortemente a qualidade sensorial e podem inibir as próprias bactérias lácticas, desequilibrando o fermento.

Couve, brócolos e couve-flor: fermentar ou não fermentar?

Brócolos e couve-de-bruxelas concentram grande quantidade destes compostos e têm estrutura que não beneficia da salmoura. A maioria dos fermentadores experientes evita-os por decisão prática: o odor e o sabor finais raramente compensam. A couve-flor ocupa uma zona intermédia — é fermentável com resultados aceitáveis, mas exige técnica e tolerância para cheiros fortes durante o processo.

A couve-galega e o repolho são o contraponto interessante: precisamente por serem brássicas, contêm glucosinolatos, mas a sua composição de açúcares e a sua estrutura firme tornam-nas ideais para a lactofermentação. O chucrute é a prova de que a família, em si, não é problemática — o que conta é a espécie e a parte da planta utilizada.

A exceção: porque é que a couve-repolho fermenta tão bem

A couve-repolho combina açúcares suficientes para sustentar as bactérias lácticas, folhas com estrutura suficiente para manter crocância e uma tradição de processamento — cortar fino, salgar, comprimir — que otimiza todo o processo. É por isso que o chucrute é, historicamente, um dos fermentos mais fiáveis que se podem fazer em casa. Quem quiser explorar mais este clássico pode encontrar orientações detalhadas em guias dedicados à lactofermentação e à sua relação com a saúde digestiva, como os recursos disponíveis sobre o microbioma intestinal.

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Segurança vs. qualidade: a distinção essencial

Uma das confusões mais comuns entre quem começa a fermentar é confundir um fermento desagradável com um fermento perigoso. Na verdade, são categorias diferentes e exigem decisões diferentes.

Fermentos seguros mas desagradáveis: quando o problema é apenas o sabor

Um fermento de curgete pastosa, um chucrute muito macio ou uma couve-flor com odor forte mas ácido podem ser perfeitamente seguros do ponto de vista microbiológico e ainda assim desagradáveis de comer. A acidez elevada que define um bom fermento é, em si, uma barreira contra muitos patogéneos. Nestes casos, o problema é de qualidade: o produto pode ser descartado por gosto, sem ansiedade.

Sinais de alerta: quando o fermento representa um risco para a saúde

Nem tudo é questão de gosto. Alguns sinais indicam risco real e justificam descartar o lote sem provar:

  • Bolor fofo colorido (preto, rosa, laranja) na superfície ou no interior, distinto da película branca conhecida como "kahm yeast", que é uma levedura superficial normalmente inofensiva.
  • Odor de putrefação, não confundir com o odor ácido normal da fermentação.
  • Salmoura viscosa a ponto de formar fios, que pode indicar crescimento bacteriano indesejado.
  • Fermento que permanece à temperatura ambiente sem acidez desenvolvendo-se e sem bolhas, podendo indicar inatividade microbiana num meio que continua perecível.
  • Textura ou cor anormais em combinação com odores desagradáveis.

As orientações oficiais de conservação alimentar, como as do USDA e dos serviços de extensão universitários norte-americanos, sublinham que a acidez final (pH abaixo de aproximadamente 4,6) é o principal marcador de segurança em vegetais fermentados, mas que em casa a avaliação baseia-se sobretudo na observação cuidadosa.

A regra de ouro: quando em dúvida, deite fora

Nenhum vegetal fermentado justifica uma intoxicação alimentar. Se houver qualquer dúvida substancial sobre a segurança de um lote — odores putrefativos, bolores coloridos, aspeto claramente anormal — a decisão correta é descartar. O custo de um lote novo é baixo; o custo de uma doença alimentar, não. Este princípio é aceite por todos os manuais sérios de fermentação caseira.

Como salvar vegetais difíceis: técnicas e alternativas

Alguns vegetais marginalmente inadequados podem ser resgatados com técnicas específicas. Não são milagres, mas melhoram significativamente o resultado.

Taninos naturais: folhas de videira e folhas de carvalho para manter a crocância

Os taninos inibem as enzimas que degradam a pectina, preservando a crocância. É o motivo pelo qual as receitas tradicionais de pepinos fermentados incluem folha de videira, folha de carvalho, folha de cerejeira ou chá preto. Uma folha limpa por frasco, ou uma colher de chá de chá preto em folhas, faz diferença notável nos fermentos de textura delicada. É uma das técnicas mais simples e eficazes para quem insiste em fermentar vegetais aquosos.

Branqueamento: uma solução para vegetais de textura delicada

O branqueamento breve — imersão em água a ferver durante segundos a minutos, seguida de choque térmico — inativa enzimas degradativas e amolece ligeiramente a superfície, facilitando a adesão das bactérias lácticas. Tem como desvantagem destruir parte dos microrganismos benéficos naturais, pelo que nestes casos é útil usar um iniciador, como salmoura de um fermento anterior ou soro de leite. A couve-flor e alguns rabanetes beneficiam particularmente deste tratamento.

Quando optar por pickles rápidos no frigorífico em vez de fermentação

Para os vegetais que se recusam a fermentar bem, há uma alternativa honesta: pickles rápidos no frigorífico. Trata-se de vegetais imersos numa solução de vinagre, água e sal, guardados a frio e consumidos em poucas semanas. Não desenvolvem o perfil probiótico da lactofermentação, mas preservam textura e sabor de forma muito mais fiável. Para curgetes, tomates e pepinos de salada, é frequentemente a escolha mais sensata.

Erros comuns na fermentação de vegetais e como evitá-los

Muitas falhas atribuídas ao "vegetal errado" são, na realidade, erros de processo. Rever estes pontos antes de culpar o ingrediente poupa lotes inteiros.


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Concentração de sal: o equilíbrio certo entre segurança e sabor

O sal é o principal regulador do fermento: demasiado pouco permite o crescimento de microrganismos indesejados; demasiado inibe também as bactérias lácticas. A prática mais fiável é usar percentagens em peso: cerca de 2% do peso total para chucrute e vegetais raspadinhos, 3–3,5% para salmouras com vegetais firmes. Uma balança de cozinha é mais fiável do que colheres de medida.

Ambiente anaeróbio: porque é que o contacto com o ar arruína o fermento

Os bolores e algumas leveduras indesejadas precisam de oxigénio. Manter os vegetais completamente submersos — com peso, um saco de água ou um disco de vidro — é a medida preventiva mais importante. Uma película de levedura kahm na superfície geralmente indica contacto com o ar e pode ser retirada, desde que o fermento por baixo esteja ácido e sem odor de putrefação.

Temperatura e tempo de fermentação: o que deve saber

As bactérias lácticas preferem temperaturas entre aproximadamente 18 e 22 °C. Acima de 25 °C, o processo acelera, as texturas degradam-se mais depressa e os odores sulfurosos intensificam-se — um dos motivos pelos quais os crucíferos falham sobretudo em fermentos quentes. Abaixo de 15 °C, o processo torna-se muito lento e o risco de fermentos subdesenvolvidos aumenta. Ajustar a temperatura e o tempo — dias no verão, semanas no inverno — é parte essencial do controlo.

Como saber se a sua fermentação correu bem

Aspeto, cheiro e textura: os três sentidos que nunca deve ignorar

Um fermento bem-sucedido apresenta bolhas ou atividade visível, salmoura turva mas homogénea, odor ácido e fresco — lembrando picles ou iogurte — e textura mantida ou ligeiramente amolecida de forma uniforme. A cor pode escurecer ligeiramente, o que é normal. Estes três sentidos — vista, olfato e tato — são os instrumentos de avaliação mais fiáveis disponíveis em casa.

O que fazer com um fermento que falhou

Se o lote apenas desagradou em termos de sabor ou textura mas não apresenta sinais de alerta, pode ser consumido com moderação, transformado em sopas ou caldos, ou simplesmente descartado sem culpa. Se apresentar sinais de risco, deve ir para o lixo, incluindo a salmoura. Registar o que correu mal — vegetal, sal, temperatura, tempo — transforma cada falha num dado para o lote seguinte.

Nota sobre fermentados, microbioma e saúde

Os alimentos fermentados são frequentemente associados a benefícios para o microbioma intestinal, dado que contêm microrganismos vivos e produtos metabólicos como ácidos orgânicos. Algumas investigações sugerem que o consumo regular de fermentados pode estar associado a maior diversidade microbiana intestinal, mas a evidência ainda é emergente e os efeitos variam muito entre pessoas, dietas e produtos. Um teste ao microbioma, como o disponível em kit de análise do microbioma intestinal com recomendações nutricionais, pode oferecer uma fotografia da composição microbiana intestinal num dado momento, mas não diagnostica doenças nem confirma que um alimento específico produziu um determinado efeito. Trata-se de uma fonte de contexto educativo, a interpretar sempre com apoio profissional quando existirem sintomas persistentes.

É também importante recordar que queixas digestivas após consumir fermentados — inchaço, gases, desconforto — podem ter múltiplas causas, incluindo o teor de fibra, histaminas presentes em alguns fermentados, sensibilidade individual ou condições médicas subjacentes. Sintomas persistentes, intensos ou preocupantes merecem avaliação por profissional de saúde, e não autodiagnóstico com base em informação generalista.

Pontos-chave

  • Vegetais muito ricos em água e tenros, como curgete, tomate e alface, produzem tipicamente fermentos moles e decepcionantes.
  • Brócolos, couve-de-bruxelas e folhas como espinafres tendem a desenvolver odores sulfurosos fortes e apresentam precauções próprias.
  • A couve-repolho é a grande exceção entre as folhas e a base do chucrute, um dos fermentos mais fiáveis.
  • A degradação da pectina por ácidos e enzimas explica a perda de crocância; taninos e branqueamento podem atenuá-la.
  • Um fermento desagradável não é automaticamente perigoso: a acidez é a principal barreira de segurança.
  • Bolores coloridos, odores de putrefação e salmoura fétida são sinais de risco e justificam descartar o lote.
  • Sal medido em percentagem do peso, submersão completa e temperatura entre 18–22 °C evitam a maioria dos erros.
  • Pickles rápidos no frigorífico são uma alternativa fiável para vegetais que fermentam mal.

Perguntas frequentes sobre vegetais que não devem ser fermentados

Que vegetais devo evitar fermentar em casa?

Os candidatos a evitar são sobretudo os muito aquosos e tenros: curgete, abóbora de verão, tomate fresco, alface, espinafres e pepino de salada. Brócolos e couve-de-bruxelas tendem a produzir odores sulfurosos fortes. Nenhum destes é necessariamente perigoso se o processo for correto, mas a qualidade final raramente justifica o esforço. Prefira vegetais firmes, como cenoura, couve-repolho, nabo e aipo.

Porque é que os meus vegetais fermentados ficam moles?

A moleza resulta da degradação da pectina da parede celular por ácidos e enzimas vegetais, acelerada em vegetais com muito água e pouca fibra. Também o excesso de temperatura, sal insuficiente ou fermentos muito longos contribuem. Para minimizar, use vegetais firmes e frescos, sal medido em percentagem do peso, temperatura moderada e, se adequado, uma folha de videira ou outra fonte de taninos no frasco.

Posso fermentar folhas verdes como espinafres ou couve-galega?

Espinafres e folhas de salada são geralmente desaconselhados: desintegram-se e têm elevado teor de nitratos, o que levanta precauções entre especialistas. A couve-galega, por outro lado, é tradicionalmente usada em fermentos como o chucrute com sucesso. A regra prática é distinguir folhas tenras de folhas firmes: as primeiras raramente funcionam, as segundas podem ser excelentes.

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É seguro fermentar brócolos ou couve-flor?

Tecnicamente, ambos podem fermentar com segurança se o processo for bem conduzido, com salmoura adequada e submersão total. O problema é sobretudo sensorial: libertam compostos sulfurosos com odores muito intensos, e os brócolos ficam frequentemente moles. A couve-flor, em floretes pequenos, com salmoura a cerca de 3,5% e fonte de taninos, é a opção mais viável dos dois.

Qual é a melhor forma de prevenir o bolor durante a fermentação?

A prevenção baseia-se em três medidas: manter os vegetais totalmente submersos na salmoura, usar a concentração de sal correta para o tipo de fermento e manter o frasco limpo, longe de luz solar direta. Um peso de fermentação ou um saco com água ajuda a eliminar o contacto com o ar. Retire tempestivamente qualquer película superficial, e descarte o lote se aparecer bolor colorido fofo no interior.

A película branca na superfície é bolor?

Não necessariamente. A maioria das películas brancas e lisas é levedura kahm, um crescimento superficial inofensivo favorecido pelo contacto com o ar. Pode ser retirada com uma coluna limpa, lavando depois a borda do frasco. O bolor verdadeiro é fofo, frequentemente colorido, e se aparecer dentro do fermento ou em grande extensão, o lote deve ser descartado.

Posso fermentar vegetais congelados ou já cozinhados?

Vegetais congelados e descongelados não são bons candidatos, porque o congelamento rompe as paredes celulares e a textura já está comprometida antes do processo. Vegetais cozinhados também não fermentam de forma fiável com o método tradicional, pois o calor destruiu os microrganismos naturais e amoleceu a estrutura. Prefira sempre vegetais frescos, firmes e, idealmente, recentemente colhidos.

Os fermentados são todos probióticos?

Nem todos. A lactofermentação viva, sem pasteurização posterior, contém geralmente microrganismos viáveis, mas a sua quantidade e composição variam muito entre lotes e não é garantida. Pickles em vinagre e produtos pasteurizados do supermercado não contêm culturas vivas. Os efeitos no microbioma intestinal são individuais e a investigação nesta área ainda está em desenvolvimento.

Quanto tempo devem fermentar os vegetais?

Depende da temperatura, do sal e do vegetal. Em ambiente de cerca de 20 °C, chucrute e pickles fermentados tipicamente demoram entre uma e quatro semanas a desenvolver acidez agradável. O critério mais fiável é sensorial: odor ácido fresco, bolhas presentes e sabor ácido ao gosto. Não existe um prazo fixo universal, e saborear com um utensílio limpo é a melhor forma de decidir.

Vale a pena fazer testes ao microbioma se consumo fermentados?

Depende do objetivo. Um teste ao microbioma pode oferecer contexto educativo sobre a composição e diversidade das bactérias intestinais num dado momento, o que algumas pessoas consideram interessante para orientar escolhas alimentares. Contudo, não mede diretamente o efeito de um alimento específico, não diagnostica condições médicas e deve ser interpretado como fotografia parcial, nunca como substituto de avaliação clínica.

Conclusão: fermentar com confiança e segurança

Escolher os vegetais certos é talvez a decisão mais importante em qualquer fermento caseiro. A lógica é consistente: vegetais firmes, com açúcares suficientes e estrutura resistente fermentam de forma fiável; vegetais aquosos e tenros tendem a produzir resultados moles e desagradáveis; e os crucíferos exigem técnica e tolerância para cheiros fortes. Compreender o papel da pectina, das enzimas, do sal e da temperatura transforma a fermentação de um exercício de tentativa e erro num processo previsível.

Cada lote, incluindo os que falham, ensina algo sobre ingredientes e processo. Mantenha sempre a disciplina de segurança — submersão, sal medido, observação atenta e descarte sem hesitação quando há sinais de risco. E lembre-se de que a resposta de cada organismo aos alimentos fermentados é individual: quem procura entender melhor o próprio microbioma intestinal pode encontrar em recursos como um teste de microbioma com orientação nutricional uma fonte adicional de contexto educativo, sempre como complemento — e nunca como substituto — do aconselhamento profissional de saúde.

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