Dor de estômago crónica: causas além da SII e o que fazer
A dor de estômago crónica ou recorrente não deve ser automaticamente atribuída à síndrome do intestino irritável (SII). Pode estar relacionada com a SII, mas também com doença celíaca, doença inflamatória intestinal, intolerâncias alimentares, endometriose ou outras condições. Se a dor durar uma semana, for diária, estiver a piorar ou não melhorar, marque uma avaliação médica. Procure ajuda urgente perante dor intensa e súbita, sangue, febre persistente, vómitos contínuos ou outros sinais de alerta.
O que significa dor abdominal crónica?
Em contexto clínico, a dor abdominal crónica é geralmente uma dor que persiste ou recorre durante três meses ou mais. No entanto, não é necessário esperar três meses para pedir aconselhamento: uma dor nova que dura vários dias, interfere com a vida diária ou vem acompanhada de outros sintomas merece atenção.
- Dor aguda: começa subitamente e pode durar pouco tempo, embora também possa exigir avaliação urgente.
- Dor crónica: persiste ou reaparece durante semanas ou meses.
- Dor recorrente: surge em episódios separados, por vezes associados às refeições, ao trânsito intestinal ou ao ciclo menstrual.
A duração, a localização, a intensidade e os sintomas associados ajudam o profissional de saúde a decidir que avaliação é adequada.
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Porque é que a minha dor de estômago não passa?
A dor abdominal persistente pode ter várias origens. Entre as possibilidades estão alterações da sensibilidade intestinal, da motilidade, da digestão ou da interação entre o cérebro e o intestino. Em algumas pessoas, gases, obstipação ou diarreia provocam distensão e desconforto. Noutras, a causa pode ser uma condição que necessita de tratamento específico.
A disbiose, ou alteração da composição da microbiota intestinal, é um tema de investigação e pode estar associada a sintomas como gases e inchaço. Contudo, não permite por si só identificar a causa da dor nem substitui uma avaliação médica.
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Condições que podem ser confundidas com a SII
A SII é uma perturbação funcional caracterizada habitualmente por dor abdominal associada a alterações do trânsito intestinal, sem uma lesão estrutural que explique os sintomas. Como estes sinais também aparecem noutras situações, o diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde.
Doença celíaca
É uma reação do sistema imunitário ao glúten que pode lesar o intestino delgado. Pode causar diarreia, inchaço, dor abdominal, cansaço e perda de peso, entre outros sintomas. Não inicie uma dieta sem glúten antes de falar com um profissional, pois isso pode alterar os resultados de alguns exames.
Doença inflamatória intestinal
A doença de Crohn e a colite ulcerosa provocam inflamação no tubo digestivo. Diarreia persistente, sangue nas fezes, urgência para evacuar, febre ou perda de peso justificam avaliação médica.
Sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado
O SIBO pode estar associado a gases, distensão, alterações das fezes e desconforto. Estes sintomas são inespecíficos e podem ter outras causas; os testes e o tratamento devem ser orientados por um profissional qualificado.
Colite microscópica
É uma inflamação do cólon que geralmente só é identificada através de exame microscópico. A diarreia aquosa crónica é um sintoma frequente.
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Em algumas pessoas, a endometriose pode causar dor pélvica, dor relacionada com o período menstrual e sintomas intestinais. A associação com o ciclo menstrual deve ser referida ao médico ou ginecologista.
Intolerâncias e sensibilidades alimentares
A lactose, a frutose e outros componentes dos alimentos podem desencadear sintomas em algumas pessoas. Uma reação alimentar não é necessariamente uma alergia. Evite dietas de exclusão prolongadas sem orientação, sobretudo se houver perda de peso ou risco de défices nutricionais.
Quais são os três tipos de dor abdominal?
- Dor visceral: é geralmente profunda, difusa ou difícil de localizar e pode resultar da distensão ou contração de um órgão, como o intestino.
- Dor somática: tende a ser mais nítida e localizada, podendo ocorrer quando o revestimento da cavidade abdominal fica irritado.
- Dor referida: é sentida numa zona diferente da origem. Por exemplo, algumas perturbações da vesícula biliar podem causar dor no ombro direito.
Esta classificação oferece apenas uma descrição geral. O tipo de dor, por si só, não permite determinar a causa.
O que pode estar a causar dores de estômago há uma semana?
Uma dor com uma semana pode estar relacionada com infeção, obstipação, gases, irritação gástrica, alterações alimentares, efeitos de medicamentos ou outras causas. A localização e os sintomas associados são importantes. Se a dor persistir, limitar as suas atividades, se repetir ou estiver a piorar, contacte o médico de família ou outro profissional de saúde. Não tente diagnosticar a causa apenas através de pesquisas online.
É normal ter dores de estômago todos os dias?
Dores ligeiras e ocasionais podem acontecer, mas dor diária não deve ser considerada normal sem avaliação. Registe quando começou, onde dói, a intensidade, a relação com refeições ou evacuações, as alterações nas fezes, a medicação e outros sintomas. Leve estas informações à consulta.
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Como aliviar a dor de estômago crónica?
O alívio depende da causa. Enquanto aguarda orientação, algumas medidas gerais podem ajudar a observar e gerir os sintomas sem substituir cuidados médicos:
- Faça um diário de sintomas: anote alimentos, bebidas, sono, stresse, medicação, ciclo menstrual, evacuações e intensidade da dor.
- Mantenha uma alimentação regular: evite mudanças extremas e identifique padrões sem eliminar vários grupos alimentares ao mesmo tempo.
- Considere a dieta baixa em FODMAP: esta abordagem pode ser útil para algumas pessoas com sintomas compatíveis com SII, mas deve ser feita durante um período limitado e, idealmente, com um nutricionista.
- Beba líquidos adequadamente: ajuste a ingestão de fibras de acordo com a tolerância e com a presença de obstipação ou diarreia, de preferência com aconselhamento profissional.
- Cuide da ligação cérebro-intestino: respiração lenta, atividade física adaptada, sono regular e técnicas de relaxamento podem ajudar algumas pessoas a lidar com o desconforto.
- Reveja medicamentos com um profissional: alguns medicamentos podem afetar o estômago ou o trânsito intestinal. Não suspenda tratamentos prescritos sem aconselhamento.
Sinais de alerta: quando procurar ajuda
Procure atendimento urgente ou ligue para os serviços de emergência se tiver:
- dor intensa, súbita, incapacitante ou com o abdómen muito rígido;
- sangue nas fezes, fezes negras ou vómitos com sangue;
- vómitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos;
- febre alta ou persistente associada à dor;
- inchaço abdominal acentuado com dor e ausência de gases ou fezes;
- pele ou olhos amarelados;
- desmaio, confusão ou fraqueza marcada.
Marque consulta em breve perante perda de peso não intencional, dificuldade em engolir, anemia conhecida, alteração persistente do trânsito intestinal, dor que acorda durante a noite ou sintomas que estão a piorar. Pessoas grávidas, com imunidade reduzida ou com antecedentes familiares relevantes devem pedir aconselhamento individualizado.
O papel do microbioma intestinal
O microbioma intestinal é a comunidade de microrganismos que vive no intestino e participa em processos como a digestão e a interação com o sistema imunitário. A sua composição pode variar com a alimentação, infeções, medicamentos e outros fatores. Apesar de poder contribuir para a investigação do bem-estar digestivo, um teste ao microbioma não diagnostica SII, doença celíaca ou outras causas de dor e não deve substituir exames ou orientação clínica.
Se tiver interesse em conhecer melhor este tema, pode consultar o teste ao microbioma como fonte de informação complementar. Interprete qualquer resultado com prudência e discuta-o com um profissional de saúde, sobretudo se tiver sintomas persistentes.
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- Descreva a localização, duração, intensidade e padrão da dor.
- Indique se existe relação com refeições, evacuações, atividade física ou menstruação.
- Leve uma lista de medicamentos, suplementos e alterações recentes na alimentação.
- Registe febre, perda de peso, sangue nas fezes, vómitos e alterações do trânsito intestinal.
O profissional poderá decidir se são necessários exames, análises ou encaminhamento para gastrenterologia, ginecologia ou nutrição. O tratamento deve ser direcionado à causa identificada.
Perguntas frequentes
Como curar a dor de estômago crónica?
Não existe uma cura única, porque a dor pode ter causas diferentes. É necessário identificar a origem com avaliação adequada. Medidas como um diário de sintomas, alimentação equilibrada e gestão do stresse podem apoiar o bem-estar, mas não substituem o diagnóstico e o tratamento recomendados.
Porque é que o meu estômago dói independentemente do que como?
Quando a dor ocorre com diferentes alimentos, pode não ser causada por um único alimento. SII, obstipação, irritação gástrica, alterações da motilidade, endometriose e outras condições são possibilidades. Uma dor persistente precisa de avaliação, especialmente se houver sinais de alerta.
A dor abdominal significa que tenho SII?
Não necessariamente. A SII é apenas uma das possíveis causas. A presença de sangue, febre, perda de peso, anemia, sintomas noturnos ou início recente exige uma avaliação mais cuidadosa.
Quais são os sinais de alerta para a dor abdominal?
Dor intensa ou súbita, febre persistente, sangue nas fezes ou vómitos, vómitos contínuos, perda de peso, icterícia e distensão dolorosa importante são sinais para procurar cuidados médicos, com urgência quando forem graves.