What is the best diagnostic test for IBD? - InnerBuddies

Qual é o melhor exame diagnóstico para IBD?

Descubra os testes de diagnóstico mais precisos para a doença inflamatória intestinal (DII) e aprenda quais métodos podem ajudar a garantir um diagnóstico precoce e preciso. Leia o nosso guia completo para descobrir o que é melhor para a sua saúde.
A Doença Inflamatória Intestinal (IBD) exige um percurso diagnóstico rigoroso, porque os sintomas se sobrepõem a outras condições gastrointestinais e porque a decisão terapêutica depende da precisão do diagnóstico. Este artigo explica, em linguagem clara, como se estabelece o IBD diagnosis com os exames clássicos (calprotectina fecal, endoscopia, biópsias e imagem), qual o papel emergente dos testes de microbioma intestinal e quando estes acrescentam valor. Vai encontrar respostas objetivas sobre a utilidade, as vantagens e as limitações dos diferentes métodos, incluindo como interpretar resultados, como integrar dados multi-ómicas e que exames são melhores para deteção precoce, confirmação e monitorização. É relevante para doentes, familiares e profissionais que querem decisões bem informadas e baseadas em evidência, com foco na personalização do tratamento e na melhoria da qualidade de vida.

Quick Answer Summary

  • O melhor exame para confirmar IBD é a endoscopia com biópsias, pois permite visualização direta e diagnóstico histológico.
  • A calprotectina fecal é o melhor teste não invasivo para triagem e monitorização de inflamação intestinal.
  • Ressonância magnética enterográfica e ecografia intestinal avaliam extensão e complicações, sobretudo na Doença de Crohn.
  • Testes de microbioma não substituem endoscopia ou histologia, mas ajudam na estratificação, monitorização e personalização.
  • Marcadores séricos (PCR, VES) são úteis, porém inespecíficos; devem ser combinados com outros exames.
  • Perfis multi-ómicas (metagenómica, metabolómica) podem prever resposta a terapêuticas e risco de recidiva.
  • Para deteção precoce em doentes sintomáticos, a sequência ideal é: calprotectina fecal → endoscopia com biópsias → imagem conforme necessidade.
  • Os testes de microbioma baseados em 16S e shotgun caracterizam disbiose e guiam intervenções dietéticas e probióticas.
  • Interpretação de resultados deve ser feita com gastroenterologista; decisões clínicas não devem basear-se num único teste.
  • Privacidade de dados e validação clínica são considerações essenciais nos testes de microbioma.

Introdução

A Doença Inflamatória Intestinal (DII), que inclui a Doença de Crohn e a Colite Ulcerosa, é uma condição crónica caracterizada por inflamação intestinal recorrente, manifestando-se por dor abdominal, diarreia, perda de peso e fadiga. O desafio clínico começa cedo: os sintomas podem imitar síndromes funcionais e infeções, e a janela para diagnóstico e tratamento precoces é crítica para evitar complicações e preservar a qualidade de vida. O microbioma intestinal – o conjunto de microrganismos, genes e metabolitos que coabitam no trato gastrointestinal – tem emergido como peça-chave na compreensão da patogénese, da atividade da doença e da resposta ao tratamento. Nos últimos anos, a convergência entre métodos tradicionais (endoscopia, biópsias, biomarcadores) e novas tecnologias (sequenciação de ADN, metagenómica shotgun, metabolómica) abriu caminho a um IBD diagnosis mais preciso e, sobretudo, mais personalizado. Este artigo apresenta, de forma estruturada e fundamentada, o papel dos testes de microbioma na triagem e gestão da DII, o que podem e não podem dizer, como se comparam com os exames-padrão, e em que circunstâncias acrescentam valor clínico. Abordaremos as evidências mais robustas, as limitações metodológicas e éticas, e estratégias práticas de integração dos resultados em decisões do dia a dia: desde ajustar dieta e terapêutica, até programar a monitorização de recaídas. O objetivo é claro: ajudar a responder “qual é o melhor exame diagnóstico para IBD?” e como os dados do microbioma complementam, sem substituir, as ferramentas de excelência que já salvam e melhoram vidas.

IBD diagnóstico: Como os testes de microbioma podem ajudar na deteção precoce e gestão

Diagnosticar DII requer combinar história clínica, exame físico, análises laboratoriais, calprotectina fecal, endoscopia com biópsias e, quando indicado, imagiologia. A endoscopia colonoscópica com ileoscopia terminal e biópsias segmentares continua a ser o padrão-ouro para confirmar IBD, distinguir entre Colite Ulcerosa e Doença de Crohn (ou IBD não classificada) e avaliar a atividade mucosa. Contudo, a investigação do microbioma trouxe três avanços complementares. Primeiro, aumenta a compreensão da patogénese: doentes com DII tendem a apresentar menor diversidade bacteriana, redução de Firmicutes produtores de butirato (por exemplo, Faecalibacterium prausnitzii) e aumento de bactérias potencialmente pró-inflamatórias (por exemplo, Escherichia coli aderente-invasiva), alterações que se relacionam com disfunção da barreira epitelial e ativação imunológica. Segundo, os perfis microbianos e metabolómicos podem refletir a atividade da doença: assinaturas como redução de ácidos gordos de cadeia curta (AGCC) e alterações no metabolismo do triptofano associam-se à inflamação mucosa e podem antecipar exacerbações. Terceiro, há valor prognóstico e terapêutico: determinados padrões de disbiose e vias microbianas correlacionam-se com a probabilidade de resposta a terapêuticas biológicas (anti-TNF, anti-integrinas, anti-IL12/23) e com risco de recidiva pós-operatória na Doença de Crohn, oferecendo um mapa para “medicina de precisão”. No contexto de deteção precoce, os testes de microbioma não são, por si só, diagnósticos de DII, porque a disbiose não é específica: surge também em síndrome do intestino irritável, infeções, uso recente de antibióticos e dietas extremas. No entanto, em doentes sintomáticos com calprotectina fecal limítrofe ou em casos em que a colonoscopia é negativa mas permanece a suspeita clínica (por exemplo, Crohn do intestino delgado), um perfil microbioma-metabolitos pode aumentar a probabilidade pré-teste de inflamação subjacente, orientando para enterografia por ressonância ou cápsula endoscópica. De igual forma, na gestão, o microbioma facilita a personalização: perfis com baixa abundância de butirato sugerem foco em fibras fermentáveis, prebióticos e eventualmente simbióticos, enquanto a presença de assinaturas pró-inflamatórias pode reforçar a decisão de intensificar tratamento ou vigiar mais de perto com calprotectina seriada e endoscopia de controlo. Em suma, o melhor exame diagnóstico para confirmar IBD continua a ser endoscopia com histologia, mas os testes de microbioma são uma lente adicional que permite ver o “ecossistema” onde a doença ocorre, ajudando a antecipar trajetórias e a otimizar intervenções de modo mais célere e dirigido.

Por que fazer testes de microbioma intestinal? Benefícios e vantagens

Os testes de microbioma intestinal oferecem benefícios concretos em cinco frentes. Primeiro, suporte à deteção precoce: embora não façam o diagnóstico definitivo, melhoram a estratificação de risco em doentes com sintomas compatíveis e biomarcadores inconclusivos, ao revelar disbioses e vias funcionais alteradas associadas à inflamação mucosa. Segundo, aprofundam a compreensão individual da microbiota, indo além de “quem está lá” para “o que faz”, quando complementados por metagenómica shotgun e perfis metabolómicos; isso ajuda a explicar sintomas como inchaço, diarreia osmótica/fermentativa, sensibilidade alimentar e fadiga. Terceiro, mapeiam desequilíbrios específicos, como depleção de produtores de AGCC, sobrecrescimento de patobiontes, perfis de resistência a antibióticos (o resistoma) e alterações em vias imuno-moduladoras, o que tem implicações na escolha de intervenções dietéticas, probióticos de precisão e moduladores do eixo microbiota-imunidade. Quarto, permitem a personalização de estratégias terapêuticas: por exemplo, abundância reduzida de F. prausnitzii e Roseburia pode orientar para aumento de fibras solúveis e amido resistente, enquanto padrões de fermentação proteica elevados sugerem reduzir proteínas animais processadas e equilibrar com fibras. Quinto, servem como ferramenta de monitorização: mudanças no microbioma e nos metabolitos fecais podem anteceder variações da calprotectina e sintomas, permitindo ajustes precoces no plano terapêutico e reduzindo o risco de flares. Para quem pretende iniciar uma jornada de literacia microbiológica aplicada, um teste de microbioma com relatório claro e recomendações nutricionais pode ser um ponto de partida prático, sobretudo quando integrado com dados clínicos e laboratoriais. Vale reforçar que estes testes têm maior utilidade como complemento, não como substituto, dos exames diagnósticos tradicionais; o seu valor cresce quando os resultados são interpretados em contexto, com apoio de profissionais de saúde, e quando se adota um ciclo “testar–intervir–monitorizar” que prioriza resultados clínicos tangíveis, como remissão mucosa e qualidade de vida. É esta capacidade de ligar biologia personalizada a decisões concretas que torna os testes de microbioma uma mais-valia na DII.

Como funciona um teste de microbioma: Processo, métodos e procedimentos

Um teste de microbioma inicia-se com a recolha de uma amostra de fezes numa embalagem própria, seguindo instruções que visam minimizar contaminação e preservar integridade do ADN microbiano. Alguns painéis incluem saliva ou swabs orais, úteis para estudar o eixo boca–intestino, mas a referência para DII continua a ser a microbiota fecal. Depois da recolha, o laboratório procede à extração de ADN e, consoante o método, à amplificação da região 16S rRNA (que perfila níveis taxonómicos sobretudo ao nível de género) ou à sequenciação metagenómica shotgun (que lê genomas completos microbianos e infere funções). A integração com metabolómica fecal (AGCC, ácidos biliares, aminas biogénicas) aprofunda a leitura “funcional”, iluminando a fisiologia do hospedeiro e as vias metabólicas microbianas que modulam a inflamação. Em termos de interpretação, os relatórios comparam a sua composição com bases de dados de referência ajustadas à idade, sexo e geografia, apresentam índices de diversidade (alfa e beta), listam microrganismos diferentemente abundantes e, idealmente, oferecem insights funcionais (por exemplo, vias de produção de butirato, propionato e lactato; metabolismo de mucina; biossíntese de vitaminas; potencial de LPS; perfis de resistência). Resultados úteis são sempre ancorados em contexto clínico: uma baixa diversidade isolada não diagnostica DII, mas se coexistir com calprotectina alta, PCR elevada e queixas compatíveis, aumenta a probabilidade de inflamação significativa. A qualidade do teste depende de controlos técnicos, profundidade de sequenciação, pipelines bioinformáticos validados e clareza do relatório. Produtos como um teste do microbioma intestinal com aconselhamento nutricional podem traduzir achados técnicos em planos alimentares e de estilo de vida viáveis, com alvos como elevar produtores de butirato, modular ácidos biliares e reduzir fermentação proteica. Em prática clínica, o processo ideal inclui: 1) avaliação pré-teste (medicação atual, antibióticos recentes, dieta); 2) recolha adequada; 3) análise multi-ómicas quando possível; 4) integração com calprotectina fecal/endoscopia; e 5) plano de ação e reavaliação em 8–12 semanas. É esta abordagem cíclica e orientada para objetivos (sintomas, remissão biomarcadora e mucosa) que transforma dados microbiológicos em decisões que importam.

Os diferentes tipos de testes de microbioma disponíveis

Os testes de microbioma variam em profundidade, resolução e finalidade. Os testes 16S rRNA são mais acessíveis e fornecem um panorama da composição bacteriana a nível de género, adequados para uma primeira avaliação de disbiose e diversidade, com custo e tempo de processamento reduzidos; a principal limitação é a menor resolução taxonómica e funcional. Em contraste, a metagenómica shotgun oferece leitura a nível de espécie/estirpe e inferência funcional direta (genes e vias), captando também componentes não bacterianos (arqueias, vírus bacteriófagos e, consoante o pipeline, fungos), tornando-se preferível quando se pretende orientar intervenções de precisão ou investigar mecanismos ligados à inflamação. Além da taxonomia, alguns painéis quantificam metabolitos-chave: AGCC (butirato, acetato, propionato), ácidos biliares primários/secundários, indóis derivados do triptofano e marcadores de fermentação proteica (p. ex., p-cresol, amoníaco), que refletem a “atividade bioquímica” do ecossistema. Testes de resistência a antibióticos mapeiam genes do resistoma, informação valiosa em doentes com histórico de uso frequente de antibióticos ou risco de infeções. Há ainda perfis orientados para nutrição, que associam padrões microbianos a tolerância a fibras, polifenóis e FODMAPs, úteis para definir passos graduais de reintrodução alimentar sem exacerbar sintomas. Para DII, uma estratégia equilibrada é começar por um 16S robusto para triagem de disbiose e, em casos selecionados (atividade refratária, recidiva pós-operatória, decisão de bioterapia), avançar para metagenómica e metabolómica, maximizando o valor clínico. A escolha deve considerar objetivos (triagem, personalização, monitorização), orçamento, experiência de interpretação e acompanhamento clínico. Em cenários de autocuidado informado, optar por um teste de microbioma com aconselhamento permite transformar um relatório técnico em passos concretos (p. ex., aumentar fibra solúvel, incorporar amido resistente, ajustar gorduras, selecionar probióticos baseados em evidência), enquanto se mantém a rota-padrão da DII (calprotectina, endoscopia, imagem) para decisões de maior impacto terapêutico.

Limitações e considerações éticas dos testes de microbioma

Apesar do seu potencial, os testes de microbioma têm limitações que importa reconhecer. Em primeiro lugar, especificidade diagnóstica: a disbiose é um fenómeno transversal, pelo que um resultado “anómalo” não distingue, por si, entre DII, SII pós-infecciosa, dispepsia funcional, efeitos de medicamentos ou padrões dietéticos. Em segundo lugar, variabilidade técnica: diferenças no método de recolha, extração de ADN, primers 16S, profundidade de sequenciação e pipelines bioinformáticos influenciam resultados, dificultando comparações diretas entre laboratórios. Em terceiro lugar, confusão por fatores temporais: dieta recente, antibióticos, infeções virais sazonais e alterações de trânsito intestinal podem distorcer a leitura momentânea do ecossistema; repetir o teste após estabilização aumenta a robustez. Quanto à ética, a privacidade é central: dados metagenómicos e metadados clínicos constituem informação sensível; o consentimento informado deve clarificar fins de uso, anonimização, partilha com terceiros e prazos de retenção. A interpretação clínica exige prudência: extrapolar de associações a causalidade pode conduzir a intervenções desajustadas; por isso, recomenda-se integrar resultados com biomarcadores validados (calprotectina, PCR), endoscopia e histologia. Finalmente, equidade e acesso: a adoção responsável implica garantir que os benefícios não se concentram apenas em quem pode pagar análises avançadas; a investigação futura deve focar painéis custo-efetivos com impacto demonstrável em desfechos relevantes (remissão mucosa, hospitalizações, necessidade de cirurgia). Usados com estas cautelas, os testes de microbioma ampliam, sem substituir, as ferramentas centrais do diagnóstico e gestão da DII, fornecendo uma camada “ecológica” de informação que pode orientar a prevenção de recaídas e a personalização terapêutica com segurança e transparência.

Cuidados na interpretação dos resultados e colaboração com profissionais de saúde

Interpretar relatórios de microbioma requer literacia técnica e clínica. Índices de diversidade baixos, redução de produtores de butirato e aumento de potenciais patobiontes ganham significado quando lidos ao lado de sintomas, calprotectina e achados endoscópicos/histológicos. Uma abordagem prática é formular perguntas clínicas antes de abrir o relatório: “Estou a tentar distinguir IBD de causas funcionais?”, “Quero antecipar risco de flare?”, “Preciso de orientar dieta/probióticos?”, “Estou a monitorizar resposta a uma bioterapia?”. As respostas guiam o foco: composição vs função, AGCC vs ácidos biliares, resistoma vs viroma. A colaboração com gastroenterologista e nutricionista especializado em DII é crucial para converter achados em planos acionáveis e seguros, evitando modas ou suplementos sem evidência. Por exemplo, se um doente em remissão endoscópica apresenta calprotectina tendencialmente ascendente e um perfil com queda de butirato e aumento de marcadores de fermentação proteica, pode justificar reforço de fibras fermentáveis (p. ex., aveia, leguminosas bem preparadas), inclusão ponderada de amido resistente e revisão de ingestão proteica animal, acompanhando clinicamente e com calprotectina seriada. Se o relatório sugere potencial de LPS elevado e vias inflamatórias ativas, pode ser prudente antecipar uma reavaliação endoscópica ou de imagem, sobretudo se houver sintomas novos. É também útil planear o timing dos testes: evitar recolher amostras logo após antibióticos ou alterações dietéticas extremas; quando inevitável, repetir após 6–8 semanas. Alguns serviços, como um teste de microbioma intestinal com aconselhamento, incluem suporte interpretativo e recomendações contextualizadas, o que reduz a margem de erro na tradução clínica. Por fim, documentar decisões e resultados ao longo do tempo permite aprender com a experiência própria, contribuindo para uma medicina verdadeiramente personalizada e iterativa, onde dados microbiológicos se tornam parte da rotina, mas nunca a substituem.

Prevenção e manutenção da saúde do microbioma intestinal

Cuidar do microbioma é um investimento transversal na saúde digestiva, metabólica e imunológica, com benefícios relevantes para quem vive com DII. A pedra basilar é a alimentação: uma dieta rica em fibras diversas (frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais) alimenta produtores de AGCC, fortalecendo a barreira intestinal e modulando a inflamação; a introdução deve ser progressiva em fases de instabilidade para evitar agravar sintomas. Polifenóis de bagas, azeite extra virgem, chá verde e cacau fermentável oferecem substratos adicionais para micróbios benéficos. Gorduras insaturadas, sobretudo do padrão mediterrânico, associam-se a perfis mais eubiológicos. Em paralelo, reduzir alimentos ultraprocessados, aditivos emulsificantes e excesso de proteínas animais processadas pode mitigar fermentação proteica nociva. O uso racional de antibióticos – apenas quando clinicamente indicado – preserva a diversidade microbiana e reduz o risco de disbiose persistente. Rotinas de sono regulares, gestão de stress (mindfulness, exercício), e atividade física moderada promovem um ambiente intestinal favorável. Probióticos e prebióticos podem ser úteis em cenários selecionados (por exemplo, algumas estirpes de Lactobacillus e Bifidobacterium para manter remissão em colite leve; fibras como inulina, FOS e GOS para elevar butirato), idealmente escolhidos com base no perfil individual e tolerância. Em DII, timing é essencial: durante flares moderados a graves, a prioridade é controlo da inflamação com terapêutica dirigida; as estratégias de modulação microbiana atuam melhor na estabilização e manutenção. A monitorização regular com calprotectina e, conforme o caso, um teste de flora intestinal ajuda a acompanhar o impacto das mudanças. Finalmente, hidratação adequada, álcool moderado e cessação tabágica (particularmente importante na Doença de Crohn) completam o quadro. O objetivo não é perseguir uma “microbiota perfeita”, mas sim construir resiliência ecológica: diversidade, funcionalidade e capacidade de recuperação após stressores, traduzindo-se em menos flares e melhor bem-estar.

Conclusão

Responder à pergunta “qual é o melhor exame diagnóstico para IBD?” exige distinguir entre confirmação diagnóstica e gestão ao longo do tempo. A endoscopia com biópsias continua a ser a referência para confirmar DII e definir fenótipo e extensão, enquanto a calprotectina fecal se destaca como o biomarcador não invasivo mais útil para triagem e monitorização. A imagiologia (RM enterográfica, ecografia) complementa ao avaliar o intestino delgado e complicações. Os testes de microbioma não substituem estes pilares, mas enriquecem a compreensão individual da doença, ajudam a prever resposta terapêutica e a orientar estratégias de nutrição e estilo de vida, potenciando a remissão sustentada. Quando integrados com rigor científico, privacidade e colaboração multidisciplinar, tornam o IBD diagnosis mais rápido, completo e personalizado. Para doentes e clínicos, a combinação inteligente de ferramentas tradicionais e emergentes é a via mais segura para decisões que preservam a mucosa, reduzem recaídas e melhoram a qualidade de vida, hoje e no futuro.

Key Takeaways

  • Endoscopia com biópsias é o padrão-ouro para confirmar DII.
  • Calprotectina fecal é o melhor teste não invasivo para triagem e seguimento.
  • RM enterográfica e ecografia intestinal avaliam delgado e complicações.
  • Testes de microbioma complementam, não substituem, o diagnóstico clássico.
  • Metagenómica e metabolómica oferecem valor preditivo e de personalização.
  • Interpretação deve ser contextual e multidisciplinar.
  • Dieta, sono, exercício e uso racional de antibióticos sustentam o microbioma.
  • Planos “testar–intervir–monitorizar” aumentam eficácia clínica.
  • Privacidade e validação são essenciais nos dados de microbioma.
  • Objetivo final: remissão mucosa e melhor qualidade de vida.

Q&A

O que confirma definitivamente o diagnóstico de DII?
A confirmação definitiva é feita por endoscopia com biópsias, correlacionando achados endoscópicos com histologia característica. Biomarcadores e imagem apoiam, mas não substituem a confirmação histológica.

Quando devo pedir calprotectina fecal?
Em presença de sintomas sugestivos de inflamação (diarreia persistente, dor, sangue nas fezes) e para monitorizar atividade/recidiva. É útil também para diferenciar DII de condições funcionais, devido à elevada sensibilidade para inflamação mucosa.

Os testes de microbioma conseguem diagnosticar DII sozinhos?
Não. Identificam disbiose e vias funcionais alteradas, mas estas não são exclusivas da DII. Funcionam como complemento na estratificação de risco e personalização terapêutica.

Metagenómica shotgun é sempre melhor do que 16S?
Oferece maior resolução taxonómica e funcional, mas é mais cara e complexa. A escolha depende do objetivo: triagem básica (16S) vs personalização aprofundada (shotgun).

Em Crohn do intestino delgado, qual a melhor imagem?
A enterografia por ressonância magnética é preferida por avaliar inflamação transmural, estenoses e fístulas sem radiação. A ecografia intestinal experiente também é muito útil e acessível.

Como os testes de microbioma ajudam na escolha de probióticos?
Identificando lacunas e vias-alvo (p. ex., baixo butirato, fermentação proteica elevada), permitem selecionar estirpes e prebióticos com maior probabilidade de benefício e melhor tolerância.

Há risco de privacidade nos testes de microbioma?
Sim, dados metagenómicos e metadados clínicos são sensíveis. Escolha serviços com políticas claras de consentimento, anonimização e segurança de dados.

Que biomarcadores sanguíneos são úteis na DII?
Proteína C reativa (PCR) e velocidade de sedimentação eritrocitária (VES) refletem inflamação sistémica, mas são inespecíficos. Devem ser combinados com calprotectina e avaliação endoscópica.

De quanto em quanto tempo devo repetir um teste de microbioma?
Depende dos objetivos; para monitorizar intervenção, 8–12 semanas após mudanças relevantes é razoável. Para acompanhamento de manutenção, sem alterações terapêuticas, 6–12 meses pode ser suficiente.

Qual o papel dos AGCC no contexto de DII?
Os AGCC, especialmente o butirato, nutrem colonócitos e modulam a imunidade, associando-se a menor inflamação. Aumentar substratos fermentáveis pode restaurar a produção de AGCC.

Probióticos substituem medicamentos na DII?
Não. Podem ser adjuvantes em casos selecionados, mas a terapêutica anti-inflamatória e imunomoduladora continua central para controlo de doença moderada a grave. A decisão é individual e médica.

O que devo evitar antes da recolha de amostra?
Se possível, evitar antibióticos recentes e mudanças dietéticas extremas; seguir instruções do kit para garantir qualidade. Em situações inevitáveis, documentar e considerar repetição posterior.

Os testes de resistência a antibióticos são relevantes?
Podem ser em doentes com exposição repetida a antibióticos ou risco de infeções. Mapear o resistoma ajuda a informar decisões futuras e a vigilância ecológica.

Como integro microbioma com calprotectina e endoscopia?
Use microbioma para orientar intervenções e prever risco, calprotectina para monitorização objetiva rápida e endoscopia para decisões de alto impacto e confirmação de remissão mucosa. A integração sequencial maximiza eficiência e segurança.

Important Keywords

IBD diagnosis; diagnóstico de DII; calprotectina fecal; endoscopia com biópsias; metagenómica; 16S rRNA; microbioma intestinal; ácidos gordos de cadeia curta; Doença de Crohn; Colite Ulcerosa; RM enterográfica; ecografia intestinal; personalização terapêutica; probióticos e prebióticos; disbiose; resistoma; metabolómica; remissão mucosa; teste de microbioma; teste da flora intestinal.

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