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Diagnóstico da SII em crianças: sintomas, exames e sinais

O diagnóstico da SII em crianças baseia-se sobretudo nos sintomas, na história clínica e no exame físico, e não num teste único. Este artigo explica os critérios usados pelos médicos, os exames que podem ser considerados, as situações que podem parecer SII e os sinais de alarme que exigem avaliação rápida. Inclui ainda informação geral sobre causas possíveis, acompanhamento e opções de tratamento orientadas por profissionais de saúde.
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O diagnóstico da SII em crianças é feito principalmente através da avaliação dos sintomas, da história clínica e do exame físico. Não existe um teste único que confirme a síndrome do intestino irritável (SII). Quando necessário, o pediatra pode pedir exames para procurar outras causas, sobretudo se existirem sinais de alarme. Este guia explica como é feita a avaliação, o que pode ser confundido com SII e quando deve procurar ajuda médica.

O que é a síndrome do intestino irritável em crianças?

A SII é uma perturbação da interação entre o intestino e o sistema nervoso que pode causar dor abdominal recorrente, associada a alterações do trânsito intestinal. A criança pode ter diarreia, obstipação ou uma combinação das duas. Os sintomas podem variar ao longo do tempo e também podem ser influenciados pela alimentação, pelo sono, por infeções anteriores, pelo stress ou por outros fatores individuais.

A SII não significa que exista necessariamente uma lesão visível no intestino. Ainda assim, sintomas persistentes devem ser avaliados por um profissional de saúde, porque várias outras condições podem causar queixas semelhantes.


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Como é feito o diagnóstico da SII em crianças?

O diagnóstico é clínico e costuma seguir vários passos. Em algumas crianças, o médico pode reconhecer um padrão compatível com SII sem pedir uma longa lista de exames, desde que não existam sinais de alarme.

1. História clínica

O pediatra pode perguntar:

  • Onde aparece a dor, quanto tempo dura e com que frequência ocorre;
  • Se a dor melhora ou piora depois de evacuar;
  • Se houve alterações na frequência ou no aspeto das fezes;
  • Se existem diarreia, obstipação, gases, inchaço, náuseas ou urgência para evacuar;
  • Se os sintomas acordam a criança ou interferem com a escola e as atividades habituais;
  • Que alimentos, infeções recentes, medicamentos ou acontecimentos parecem estar associados;
  • Se há familiares com doença celíaca, doença inflamatória intestinal ou outras doenças digestivas.

Pode ser útil levar um registo breve da dor, das evacuações, da alimentação e de outros sintomas. Esse registo não substitui a avaliação médica, mas pode ajudar a identificar padrões.


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2. Exame físico

O médico avalia o crescimento, o peso, o estado nutricional e o abdómen. Também pode procurar sinais que apontem para outra doença, como palidez, febre, alterações da pele ou das articulações. Uma criança com crescimento adequado e sem sinais de alarme pode ter um quadro compatível com SII, mas a conclusão deve ser feita pelo profissional que a acompanha.

3. Critérios baseados nos sintomas

Os critérios de Roma IV, usados como referência em idade pediátrica, descrevem dor abdominal pelo menos quatro dias por mês durante pelo menos dois meses, associada a dois ou mais aspetos: relação com a defecação, alteração da frequência das fezes ou alteração da sua forma ou consistência. O médico interpreta estes critérios de acordo com a idade e o contexto da criança. Nem todas as dores abdominais recorrentes correspondem a SII.

4. Avaliação de outras causas

Se a história e o exame físico forem tranquilizadores, podem não ser necessários exames extensos. Se houver dúvidas, sintomas persistentes ou sinais de alarme, o pediatra decide que investigações fazem sentido.

Existe um teste específico para a SII?

Não. Análises ao sangue, exames às fezes, ecografias e endoscopias não diagnosticam a SII isoladamente. Podem, no entanto, ajudar a excluir doenças com sintomas semelhantes. A análise do microbioma intestinal também não confirma nem exclui SII e não deve substituir uma avaliação clínica.

Que exames podem ser pedidos?

Os exames para SII em crianças dependem dos sintomas e do exame médico. Quando são considerados necessários, podem incluir:

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  • Hemograma e ferritina: podem ajudar a avaliar anemia ou reservas de ferro;
  • Proteína C reativa e, em alguns casos, velocidade de sedimentação: podem fornecer informação sobre inflamação;
  • Rastreio da doença celíaca: geralmente com anticorpos específicos e imunoglobulina A total, de acordo com a avaliação clínica;
  • Calprotectina fecal: pode ajudar a avaliar se existe inflamação intestinal, mas deve ser interpretada por um profissional;
  • Análises às fezes: podem ser úteis quando há suspeita de infeção ou parasitas;
  • Testes respiratórios: podem ser considerados em situações selecionadas para investigar má absorção de alguns açúcares.

Uma ecografia abdominal ou uma endoscopia não é habitualmente necessária para uma criança com sintomas típicos e sem sinais de alarme. Pode ser indicada quando o pediatra ou o gastroenterologista pediátrico encontra motivos específicos para investigar mais.

Sinais de alarme: quando procurar avaliação médica

Consulte o pediatra se os sintomas forem persistentes, intensos, estiverem a piorar ou afetarem o crescimento e a vida diária. É particularmente importante procurar avaliação quando existe:

  • perda de peso ou dificuldade em crescer;
  • sangue nas fezes;
  • febre persistente;
  • diarreia que acorda a criança durante a noite;
  • dor que acorda a criança ou é progressivamente mais intensa;
  • vómitos repetidos, especialmente se impedirem a hidratação;
  • palidez marcada, cansaço invulgar ou sinais de desidratação;
  • lesões cutâneas ou dores articulares sem explicação;
  • atraso no desenvolvimento pubertário;
  • história familiar relevante de doença inflamatória intestinal ou doença celíaca.

Em caso de dor intensa súbita, sangue em quantidade, prostração, vómitos persistentes ou sinais de desidratação, procure cuidados médicos urgentes.

O que pode causar sintomas semelhantes?

A causa da SII não é única e, em muitas crianças, pode envolver uma combinação de sensibilidade intestinal, alterações do trânsito, infeções anteriores, alimentação e fatores emocionais. O stress pode agravar os sintomas em algumas crianças, mas isso não significa que a dor seja imaginária ou causada apenas por ansiedade.

Entre as condições que podem parecer SII encontram-se:


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  • Obstipação funcional: pode causar dor, fezes duras, esforço ou evacuações pouco frequentes;
  • Doença celíaca: pode estar associada a dor abdominal, diarreia, distensão, cansaço ou dificuldade em ganhar peso;
  • Má absorção de lactose ou de outros açúcares: pode provocar gases, inchaço e diarreia após determinados alimentos;
  • Doença inflamatória intestinal: inclui doença de Crohn e colite ulcerosa e pode apresentar sangue nas fezes, perda de peso ou sintomas noturnos;
  • Infeções intestinais ou parasitárias: podem causar diarreia e dor, sobretudo após exposição relevante ou viagem;
  • Outras causas digestivas: devem ser consideradas conforme a idade, o padrão dos sintomas e o exame médico.

Uma criança de 13 anos pode ter SII?

Sim. A SII pode ocorrer em idade escolar e é observada com frequência em adolescentes. Uma criança de 13 anos pode ter um quadro compatível se cumprir os critérios clínicos e não apresentar sinais de alarme. A idade, por si só, não confirma nem exclui o diagnóstico.

Como é geralmente acompanhada e tratada?

O tratamento depende dos sintomas, da idade e da avaliação clínica. O objetivo costuma ser melhorar o conforto e o funcionamento diário, sem restrições desnecessárias. O acompanhamento pode incluir:

  • refeições regulares, hidratação adequada e atividade física apropriada à idade;
  • ajustes alimentares individualizados, evitando retirar grupos alimentares sem orientação;
  • tratamento da obstipação quando esta está presente, conforme indicação do pediatra;
  • atenção ao sono, à rotina e ao impacto dos sintomas na escola e no bem-estar;
  • apoio psicológico ou técnicas de gestão da dor quando o médico considerar útil;
  • reavaliação se os sintomas mudarem ou surgirem sinais de alarme.

Dietas de exclusão, incluindo uma dieta pobre em FODMAP, só devem ser consideradas com orientação de um profissional com experiência em nutrição pediátrica. Uma dieta demasiado restritiva pode afetar o crescimento e a qualidade da alimentação. Alguns probióticos podem ser estudados em situações específicas, mas os resultados variam entre estirpes e crianças; não devem ser usados para substituir a avaliação ou o tratamento recomendados.

O microbioma intestinal pode ajudar a diagnosticar SII?

O microbioma intestinal é o conjunto de microrganismos que vivem no intestino. Embora esteja a ser estudado no contexto de sintomas digestivos, um teste do microbioma não diagnostica SII, não identifica sozinho a causa da dor e não determina, por si só, o tratamento adequado. Qualquer resultado deve ser interpretado com prudência e nunca substituir o acompanhamento pediátrico. Pode consultar informação adicional sobre o teste do microbioma intestinal.

Perguntas frequentes

Como é tratada a SII em crianças?

O acompanhamento é individualizado e pode incluir medidas de rotina, hidratação, ajustes alimentares prudentes, tratamento da obstipação quando existe e estratégias para lidar com a dor e o impacto emocional. O plano deve ser definido com o pediatra e, quando necessário, com um gastroenterologista pediátrico ou nutricionista.

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O que causa a síndrome do intestino irritável?

Não existe uma causa única conhecida. A SII pode estar associada a uma combinação de sensibilidade intestinal, alterações do trânsito, infeções anteriores, alimentação, sono e stress. Estes fatores podem agravar sintomas, mas não permitem fazer um diagnóstico sem avaliação médica.

Como é que os médicos diagnosticam a SII em crianças?

Combinam a história clínica, o exame físico e os critérios baseados nos sintomas. Podem pedir exames quando há sinais de alarme, sintomas atípicos ou necessidade de excluir doença celíaca, inflamação, infeção ou outras causas.

Quais são algumas doenças intestinais comuns em crianças?

A obstipação funcional, as gastroenterites, algumas intolerâncias alimentares e a doença celíaca são exemplos de problemas relativamente frequentes. A doença inflamatória intestinal é menos comum, mas deve ser investigada quando há sinais como sangue nas fezes, perda de peso, febre ou sintomas noturnos.

Que médico deve avaliar a criança?

O primeiro contacto deve ser o médico de família ou o pediatra. Se houver sinais de alarme, sintomas difíceis de controlar ou incerteza no diagnóstico, poderá ser necessário encaminhamento para um gastroenterologista pediátrico.

Conclusão

O diagnóstico da SII em crianças baseia-se num padrão de sintomas e numa avaliação clínica cuidadosa, não num teste único. Registe os sintomas, procure avaliação se forem persistentes ou preocupantes e evite dietas, suplementos ou testes comerciais como substitutos dos cuidados médicos. Com orientação adequada, o acompanhamento pode ser ajustado às necessidades de cada criança.

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