Um surto de DII corresponde à reativação da inflamação intestinal depois de uma fase de remissão, manifestando-se por sintomas como diarreia, dor abdominal e fadiga. A duração e a intensidade variam muito de pessoa para pessoa e o primeiro passo é sempre falar com um profissional de saúde. Nenhum tratamento, dieta ou suplemento deve ser encarado como cura.
O que é um surto de DII?
A doença inflamatória intestinal (DII) agrupa principalmente a doença de Crohn e a colite ulcerosa. São doenças imunomediadas em que o sistema imunitário ataca o trato digestivo, provocando inflamação. Um surto acontece quando essa inflamação volta a estar ativa após um período de remissão.
Os surtos são imprevisíveis e a sua frequência e gravidade variam bastante entre pessoas. É importante não confundir um surto de DII com um problema digestivo pontual, como uma gastroenterite passageira, que costuma resolver-se em poucos dias sem relação com a doença de base. Reconhecer os primeiros sinais pode ajudar a agir mais cedo e a falar com o médico.
Surto de DII e remissão: qual a diferença?
A remissão é uma fase em que os sintomas estão reduzidos ou ausentes. No entanto, mesmo em remissão pode existir inflamação silenciosa, sem sinais evidentes. A passagem de remissão para surto pode ser gradual ou súbita, o que reforça a importância do acompanhamento regular.
Sintomas comuns durante um surto de DII
Os sintomas variam conforme a pessoa e o tipo de DII, e a intensidade pode ir de ligeira a incapacitante. Nem todas as pessoas têm os mesmos sintomas. Alguns dos mais frequentes incluem:
- Diarreia persistente, por vezes com sangue ou muco
- Dor abdominal e cólicas
- Urgência e necessidade frequente de ir à casa de banho
- Fadiga e falta de energia
- Perda de peso não intencional
- Febre ou dores nas articulações
Sintomas novos ou persistentes devem ser comunicados ao profissional de saúde, que poderá avaliar a situação e ajustar o acompanhamento.
Sintomas fora do intestino
Além dos sintomas gastrointestinais, podem surgir manifestações fora do intestino, como dores articulares e alterações na pele ou nos olhos. Estas manifestações podem acompanhar a atividade da doença. Quando surgem, é recomendável uma avaliação médica.
O que pode desencadear um surto de DII
Raramente existe uma causa única. Os gatilhos frequentemente referidos variam entre pessoas e nem sempre é possível identificar um fator específico. Entre os mais mencionados estão:
- Stress e fatores emocionais
- Alterações na alimentação
- Interrupção ou esquecimento da medicação
- Infeções
- Alterações nas bactérias intestinais
A relação entre estes fatores e os surtos é muitas vezes associativa e não causal. Não se deve afirmar que um único fator provoca um surto.
O papel do microbioma intestinal
O microbioma intestinal é o conjunto de microrganismos que vive no trato digestivo e que participa em várias funções ligadas à saúde digestiva. A investigação sugere uma associação entre o microbioma e a atividade da DII, mas não se pode afirmar que exista uma relação de causa e efeito. A composição do microbioma difere entre pessoas e os testes ao microbioma não substituem o diagnóstico médico.
Quanto tempo dura um surto de DII
A duração varia amplamente, desde alguns dias até semanas ou meses. A gravidade, o tipo de DII e o tratamento influenciam este período. A frequência dos surtos também varia: algumas pessoas têm surtos frequentes, enquanto outras mantêm longos períodos de remissão. Um surto que não melhora deve ser avaliado por um profissional de saúde.
DII ou SII: como distinguir
A DII envolve inflamação e é uma doença imunomediada, enquanto a síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional sem inflamação visível. Alguns sintomas sobrepõem-se, como a dor e as alterações intestinais, mas os mecanismos e a abordagem são diferentes. Ambas requerem avaliação médica e só um profissional pode fazer o diagnóstico diferencial. Os testes ao microbioma não substituem esse diagnóstico.
Como gerir e acalmar um surto de DII
A gestão de um surto passa sobretudo pelo acompanhamento médico. É essencial manter o plano de tratamento definido com o profissional de saúde e nunca parar a medicação por conta própria. Algumas estratégias de apoio podem ajudar:
- Manter o plano de tratamento e não interromper a medicação
- Hidratar-se adequadamente
- Descansar o suficiente
- Gerir o stress
- Registar sintomas e possíveis gatilhos num diário
- Falar com o profissional de saúde sobre ajustes alimentares
Gestão médica
O tratamento pode incluir medicação ajustada pelo médico conforme a gravidade. As decisões de tratamento pertencem sempre ao profissional de saúde, que avaliará a situação de forma individualizada.
Estilo de vida e alimentação
Medidas gerais como descanso, hidratação e gestão do stress podem apoiar o bem-estar durante um surto. Certos padrões alimentares podem ser discutidos com o médico ou nutricionista, mas a resposta varia de pessoa para pessoa. Não existe uma dieta específica que possa ser apresentada como forma garantida de tratar ou prevenir surtos.
Quando procurar ajuda médica
Sintomas persistentes, graves ou preocupantes devem ser sempre avaliados por um profissional de saúde. Procure ajuda médica ou recorrer a urgência se notar algum destes sinais:
- Dor abdominal intensa ou que piora
- Sangue abundante nas fezes
- Febre alta
- Sinais de desidratação
- Vómitos persistentes
- Sintomas que não melhoram ou que pioram
Evite minimizar os sintomas ou tentar autotratamento. Uma avaliação atempada ajuda a evitar complicações.
Viver com DII: impacto emocional e apoio
Os surtos podem afetar o bem-estar emocional, o trabalho e a vida social. Redes de apoio, profissionais de saúde e, quando útil, apoio psicológico podem fazer diferença. Cada pessoa vive a doença de forma diferente e não existe uma única forma correta de lidar com ela.